Intimidade

E só então eu conheci a intimidade que vem com a verdadeira proximidade. 

Era um acordar e dormir, nem sempre juntos, mas tão unidos sempre. 

Era olhar de soslaio em silêncio e ser completamente compreendida. 

Não havia vácuos na comunicação: mesmo discordando, algo do que o Outro dissesse era estabelecido como a mais profunda verdade dele. E respeitado. 

E passivamente escutado. Depois, finalmente, a oportunidade de desfazer o mal entendido. 

Não havia raiva, mas a necessidade de solucionar o desconforto explícito.

 Tudo era suavemente exposto.

 Havia, antes de tudo, um olhar generoso para a individualidade alheia.

 E alegria por isto. Havia, antes de qualquer coisa, uma vida própria. 

E um movimento saudável ao encontro.

 O ajuste do tempo de cada um formava nossas eternidades. 

Não havia garantias, nem dúvidas. 


E só então eu conheci a intimidade que vem com a verdadeira proximidade: quanto mais eu o acomodava aqui dentro, mais eu me aproximava de mim.

Juntos, fomos imensos.

Marla de Queiroz


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P.S.:Eu estou pairando sobre ti, breve algo irá mudar!