não sei viver em doses homeopáticas
Já me deitei com Drummond e acordei com Schopenhauer. Idealizei meus príncipes e os deletei no primeiro capítulo para me enamorar cronicamente por um desnorteado plebeu. Já disse "adeus" no auge da minha paixão e me desesperei com o “até mais” daquele moço breve que eu não queria nem no sonho, mas que me pareceu tão definitivo quando o disse que foi quem me rendeu a melhor metáfora.
Eu sei como devorar uma história. Diversas foram as vezes em que escrevi uma carta de amor catando elementos pro poema da despedida. E chorei por não sentir saudade quando escutei aquele solo de violoncelo que se parece tanto com uma história tragicamente desencontrada. Que eu esqueci.
(E não sei viver em doses homeopáticas: o calor só me penetra quando arde no que há de mais líquido em mim.)
Marla de Queiroz

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