A escola e os desafios contemporâneos- Viviane Mosé

RESENHA
Rubem Alves: a educação como um ato e amor à vida

Ac.Sirléia das Graças Fazzion Silva
Bolsista do PIBID Filosofia

            Em seu livro A escola e os desafios contemporâneos a autora Viviane Mosé,reúne uma coletânea de entrevistas com educadores conceituados, os quais , refletem sobre os desafios da educação contemporânea. Na entrevista concedida por Rubem Alves,  Viviane Mosé define o seu entrevistado como um homem encantado com a vida, e como tal, consegue despertar em seus leitores e interlocutores a mesma paixão.
            É sobre essa ótica de paixão pela vida, que Rubem Alves fala sobre os desafios da educação para os dias atuais. Para ele, aprender é criar ferramentas e brinquedos para completar o que nos falta. Assim o professor não deve ser aquele que transfere conhecimento e sim, o que desperta a curiosidade, o que provoca ausências e o desejo de solucionar questões. Educar, portanto, é criar possibilidades de complementação para essa falta, é proporcionar o remédio para a curiosidade (coceira das ideias), porque o pensamento mediante a falta cria.
A partir do exposto, Rubem Alves faz uma critica aosistema educacional. Ele compara o mesmo a uma linha de montagem, diz que assim como as fábricas que possuem a sua linha de produção, a escola de hoje recebe a criança como algo a ser montado. Ele complementa essa perspectiva lembrando-se do sinal da escola, que muito se parece como o apito da fábrica e não apenas no barulho, mas em sua utilidade comum que é fracionar o tempo para cada trabalho.  A crítica do entrevistado recai sobre o fato de que a escola sob essa perspectiva faz com que o estudante perca a noção de mundo, devido a compartimentação do ensino. Além disso, chama a atenção para a existência de duas vertentes de educação que ele nomeia de caixa de ferramenta e caixa de brinquedos. A educação como caixa de ferramenta é indispensável, afinal não vivemos sem ferramentas, são elas que nos proporcionam poder e competência para a feitura de outros objetos. As ciências e as palavras são as ferramentas que nos dão conhecimento e poder de agir no mundo. Já a educação como caixa de brinquedo - assim como o objeto que a nomeia - parece não servir pra nada, porém se o brinquedo de inicio aparenta uma inutilidade, não pode negar sua essência que é a de proporcionar felicidade. Esse tipo de educação transforma e embeleza a vida; é o campo da cultura e das artes. Rubem Alves conclui a exposição dessas duas vertentes educacionais dizendo que a educação na verdade precisa tanto das ferramentas, quanto dos brinquedos, afinal, é o desejo de realizar um prazer que me leva à ferramenta.  Desta forma pode-se dizer que o sujeito interage no mundo movido por um prazer ou por um desejo e não por uma série de conhecimentos. Assim a ferramenta está a serviço do prazer.
A educação como um ato e amor à vida é gerada exatamente no prazer e no desejo. Rubem Alves em seu livro O desejo de ensinar e a arte de aprender já dizia “O “afeto” é o movimento da alma na busca do objeto de sua fome. É o Eros platônico, é a fome que faz a alma voar em busca do fruto sonhado”, fica mais fácil aprender quando se ama. O amor é gerado pela liberdade entre estudantes e professores, que nessa conjectura não assumem o papel de receptor/emissor, mas sim, de companheiros na aventura de conhecer o mundo.  O amor levará à ereção da alma, que gera a alegria do pensar. Rubem Alves nomeia o professor como sendo o professor do espanto. Para ele o conhecimento está em todo lugar, o que falta na verdade é a alegria de pensar. O processo maçante dos currículos tira do estudante e até mesmo do professor a alegria e o desejo de conhecer, nos acostumamos muito fácil ao processo de depositar e cobrar, que em nada estimula a curiosidade e o espanto diante da vida.  A missão do professor deve ultrapassar as notas e os resultados quantitativos. Para Rubem Alves sua missão é despertar a curiosidade, o caminho não é mandar fazer é aprender fazendo, brincando com a informação, completando o corpo com as ferramentas necessárias para a realização dos desejos. Conclui-se que a experiência do aprendizado na perspectiva de Rubem Alves é na verdade uma experiência afetiva, é pelo afeto que o estudante se movimenta para aprender aquilo que seu professor sabe, saber, será uma forma de estar com aquele que desperta o afeto.




Comentários

Postar um comentário

Obrigado por dividir comigo o seu gosto por poesia , filosofia e musica

Postagens mais visitadas deste blog

Estado de Poesia

PS: de quem te ama

P.S.:Eu estou pairando sobre ti, breve algo irá mudar!