Discurso dos Oradores Vanessa e Rutiero na colação de grau

Discurso de orador -Filosofia
Vanessa: "Quem sonha mais, vais-me dizer - Aquele que vê o mundo acertado Ou o que em sonhos se foi perder?
Rutiero: O que é verdadeiro? O que mais será - A mentira que há na realidade Ou a mentira que em sonhos está?
Vanessa: Quem está da verdade mais distanciado - Aquele que em sombra vê a verdade Ou o que vê o sonho iluminado?
Alexander Search, in "Poesia"
Rutiero: No princípio era o problema, talvez o da curiosidade, que é a força motriz de todo filosofar, depois disso veio a página em branco, que aos poucos ficou repleta de pensamentos e sentimentos eternizados em palavras de línguas as mais variadas. Assim se fez o filosofar, exercício introspectivo de seres desinquietos com a própria desinquietude.
Vanessa: Apresento-lhes aqui hoje servos veneráveis do exercício filosófico que enfim chegam no momento das novas vias, dos novos ares, da nova vida. É hora do adeus, e mesmo que não queiramos, devemos estar preparados para ele.
Rutiero: No percurso que fizemos juntos sorrimos mil vezes, nos desesperamos mil e duas, nos amamos, nos odiamos, debatemos, discutimos, brigamos. Foram muitas meditações, profundas e metódicas dúvidas, questionamentos sobre o mundo, sobre nós mesmos e sobre os outros.
Vanessa: Essa reflexão sobre o outro nos mostrou que esse outro pode ser tanto o Céu quanto o Inferno.
Rutiero: E na descoberta disso nos encantamos ainda mais uns com os outros, porque o que é a vida senão um constante encantar-se? Ou um desencantar-se? (filósofos e suas lucubrações) .....
Vanessa: A turma de Filosofia de 2011 começou enorme, tinha tanta gente que às vezes a sala ficava insuportável. Tinha advogado (ainda tem), tinham hippies (ainda tem?), jovens senhores, profissionais da educação (isso aumentou consideravelmente), seminaristas, ex seminaristas e tantos outros, enfim, uma sala repleta de ecletismo em todos os sentidos, não é mesmo?
Rutiero: E por falar nisso há alguém que sempre está cada dia melhor em todos os sentidos não é mesmo Érick? E vou ser sincero para os senhores apesar de não estar entendendo nada, sou louco e santo, no caso, SOU FILÓSOFO!
Vanessa: E por falar em ser filósofo temos alguém a quem denominamos “O filósofo aventureiro”, vulgo Isaac, que fez de sua vida a expressão viva da filosofia, peregrinou em busca da verdade e a encontrou dentro de si mesmo.
Rutiero: E no seguimento dos encontros podemos dizer que com o desabrochar da filosofia em sua vida ela se permitiu abrir como uma flor aos encantos do conhecimento, mas lembrem-se: a chuva mansa também engrossa não é verdade Valmira?
Vanessa: Presenças silenciosas também se fizeram notar, como a de nosso amigo Andrei, que morosamente chegou e conquistou nossa confiança. Revolucionário nato, luta destemido para saciar sua ânsia de justiça, pois seus ideais são, sem dúvidas, seu bem maior. Não é mesmo companheiro?
Rutiero: No seguimento das poucas palavras temos ainda um certo Paulo César, que quieto no seu canto, e apesar das breves e raras presenças, nos cativou . Trabalhador incansável, fez desta batalha mais um degrau para alcançar seus objetivos, ainda que com percalços nessa via.
Vanessa: Nas voltas que a vida dá tivemos presentes em nossa turma pessoas mais que especiais, que magistralmente conduziram suas vidas e seus conflitos com o frescor de sua juventude espiritual, e dessa forma nos motivaram diariamente a não desanimar.
Rutiero: Há no cantinho da sala uma Fiel amiga, de olhares descobridores, de presença marcante forte e sensível. Desdobrando-se na tríade diária: família, trabalho e faculdade, Venceu com a costumeira meiguice e cativante presença, apesar de todas as intempéries que a vida lhe outorgou. Estou certo Patrícia?
Rutiero: E falar da Patrícia e não mencionar a .....
Vanessa: "Quero falar, posso falar, posso falar!" - E não mencionar a Rachel não é ser justo. Uma amante infatigável da liberdade, com um enorme coração embalado pela franqueza. Uma amiga e companheira verdadeira que a Filosofia gentilmente nos legou.
Rutiero: Existe ainda nesse cantinho da amizade o lugar de mais uma. Para as dúvidas existem os esclarecimentos, nas explicações existem as perguntas, e para nós existe a Maria José! Mulher batalhadora e guerreira que em suas dúvidas não tem medo de perguntar. Enfrenta destemidamente com seu otimismo e seu sorriso sempre aberto os obstáculos que a vida traz.
Vanessa: Há recostada na janela uma Mãe zelosa de uma paz interior sem igual, a quem chamam Aparecida. Os tolos acham que é simples timidez essa sua passividade, todavia é algo mais brilhante. É o semblante de uma guerreira que fez desse tempo um jogo de estudos, trabalho, dedicação, lutas e saudades.
Rutiero: Dentre as combatentes da vida temos a que guerreou em favor também da fé. Essa fé inexorável tem o nome de Sirléia, que firmou sua marca na vida de cada um de nós. Encantou-se com a educação à medida que adentrou o mundo da filosofia, e como presente dessa, paulatinamente poliu a fé que trazia. Desdobrou-se entre a realidade de ser mãe e o sonho de ser educadora, entre suas obrigações e paixões, que se misturaram e confundiram.
Vanessa: No seguimento das tramas e dos reboliços da história de nossa turma encontramos ainda figuras singulares. Há o alcunhado “menino competente”, uns dizem que se chama Lucas Alerson, menino por causa da idade, competente porque tudo que faz, realiza com maestria. A firmeza de sua voz e de sua fala são marcas inexpugnáveis que ficarão na memória.
Rutiero: Há também a “menina” Samara que nessa peregrinação se deixou construir. Personalidade forte, pertinaz e sempre pronta a mostrar a que veio. Transpôs altos e baixos, mas nunca relegou a segundo plano sua lealdade. Apaixonada e apaixonante conseguiu na fluidez do curso, alentada pela filosofia, amadurecer de forma rápida e coerente.
Vanessa: A anarquia da vida permitiu também novos rumos ao seminarista de uma semana, e jurando solenemente não dizer nada de bom atesto que Lucas Eduardo mansamente tomou a filosofia por rumo, porém não descurou da fé que conservou e gradualmente lustrou. Tornou-se um grande amigo, sempre sorridente e feliz. Contagiando-nos com o seu jeito de encarar a vida.
Rutiero: Olhar para trás faz com que vejamos o começo, e agora, olhar para frente nos faz entrever o fim. Ficamos sempre perplexos ante à singularidade de cada existência e de cada momento da vida. São as peças que a vida nos prega, não é mesmo Vanessa? que de “a chata” que faz uma pergunta no último segundo da aula, à turista na sala. Alegre, mandona, dedicada e doce. Os contornos de sua vida dariam um livro de romance policial, porque a garra e a desenvoltura com que ela enfrenta as peripécias da vida são de todo invejáveis. E que voltas a vida dá não é mesmo?
Vanessa: E foi numa dessas voltas que esbarramos com o Rutiero, uma pessoa incrível. Que pelo seu sarcasmo e ironia o humor é garantido. De uma Fé tão confortante, que mesmo trilhando um caminho pesado e difícil nunca deixou seu sorriso de lado, e acabou sendo um contagiante amigo de todos os dias. Extremamente dedicado, Inteligente, e disponível a ajudar, mas chato.
Rutiero: Alcatifamos, deste modo, nossas vidas, com aforismas e nos indumentamos com vocábulos; como que preparados para uma ação solene nos fizemos presentificadores do filosofar, manifestado não somente em nossos escritos, mas construído conjuntamente com a nossa vida. Contudo tem fim hoje nossa confraria universitária; mas como morte é vida, o fim é o começo, o caminho se finda para que enfim iniciemos novas vias e novas vidas.
Vanessa e Rutiero: Este é o começo do fim.


Comentários

  1. Sensacional e adorável!

    Um abraço.

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    1. Moacir foi emocionante...
      toda vez que leio a parte que fala de mim fico toda emocionada rsrs


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